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Drª. Inês Fernandes– Licenciada em Dietética pela Escola Superior de
Tecnologia da Saúde de Lisboa.
Pós-graduada em Perturbações do Comportamento Alimentar e Obesidade
Intervenção Clínica desde 2004. Nutricionista no Sport Lisboa e Benfica.
Para marcação de consultas: Tel: 965418407 |
Obesidade “ Epidemia do século XXI”
De acordo com os dados da OMS, na Europa um em cada dois adultos e uma em cada cinco crianças sofre de excesso de Peso.
Em Portugal, segundo a Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, mais de metade da população (52,4%) revela excesso de Peso ou Obesidade.
Um estudo realizado em crianças Portuguesas revelou uma prevalência de 20,3% de pré-obesidade e 11,3 % de obesidade, num total de 31,6% crianças com peso excessivo.1
A Obesidade, caracterizada por uma acumulação excessiva de gordura corporal, assume actualmente proporções epidémicas que se tornam alarmantes em virtude das doenças associadas à mesma. Esta aumenta o risco de morbilidade por dislipidemia, hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, enfarte do miocárdio, osteoartrite, apneia do sono e outros problemas respiratórios, assim como cancro do endométrio, mama, próstata e cólon. Desta forma o excesso de peso e a obesidade surgem associados ao aumento da mortalidade. Para além das complicações de saúde adjacentes, os indivíduos obesos são vulgarmente alvo de estigmatização e discriminação social o que conduz muitas vezes a doenças do foro psicológico tal como a depressão. 2,3
A obesidade é uma doença multifactorial complexa, que se desenvolve pela interacção entre o Genótipo e o Ambiente. O conhecimento acerca da sua causa e origem do seu aparecimento é alvo de diversos estudos, sabendo-se no entanto que envolve a integração de:
Factores Fisiológicos, Metabólicos e Genéticos
- O mau funcionamento de alguns órgãos vitais impede a boa eliminação de toxinas, a utilização de gorduras ou alteração do metabolismo do corpo conduzindo à Obesidade.
Factores Sociais, Comportamentais e Culturais
- As facilidades da vida moderna, como elevadores, escadas rolantes, controlos remotos e a utilização do automóvel contribuem para um menor dispêndio de energia durante o dia. Por outro lado, a industrialização de alimentos cada vez mais ricos em açucares e gorduras ajuda na modificação de padrões alimentares, aliando-se ainda o facto do hábito de consumo de “fast-food” ( Hambúrgueres, Salgados, fritos, molhos,..) aumentar bastante o consumo de calorias diárias.
- O “ bombardeamento” de publicidade direccionada à população mais jovem, através da apresentação de alimentos hipercalóricos como os chocolates, cereais com açúcar e alimentos substitutos de pequeno-almoço, e onde são nítidas as estratégias de promoção (com brindes, desenhos animados, mensagens indutoras de comportamentos errados através da utilização da imagem de uma mãe), conduzem a um acréscimo do consumo destes produtos e consequentemente a um progressivo e assustador aumento de casos de Obesidade infantil.
- Devido ao ritmo acelerado do dia-a-dia, cada vez é menor o tempo disponível para estar como os filhos, ajudá-los e orientá-los no planeamento de um estilo de vida saudável, implementando uma Alimentação equilibrada e uma actividade física regular. Este facto, aliado ao aumento da insegurança e consequentemente aos perigos de brincar sozinho na rua, conduz à prática de erros alimentares frequentes e ao sedentarismo das crianças, onde as actividades de eleição são aquelas que dispendem menos energia, como a televisão, videojogos e computador.
Outro aspecto relevante e muitas vezes esquecido é a associação entre Obesidade e problemas emocionais os quais alteram o funcionamento bioquímico do cérebro e consequentemente todo o funcionamento do organismo. Nestes casos, de nada adianta tentar emagrecer sem também resolver os problemas emocionais.
A Obesidade representa assim uma doença complexa que não pode ser encarada de uma forma simplista e superficial. Vulgarmente as pessoas tentam solucioná-la através de “dietas incorrectas” que eliminam determinados grupos alimentares e portanto nutrientes essenciais ao correcto funcionamento do organismo, associando “exercício físico sem orientação” que se torna prejudicial quando mal feito.
A consciencialização de todos estes aspectos visa promover uma modificação comportamental, que com a ajuda de profissionais especializados garantirá a melhoria da Saúde e o aumento da Qualidade de Vida a médio/ longo prazo.
O tratamento da Obesidade inclui processos de Avaliação e Acompanhamento:
1. A Avaliação compreende a determinação do grau de obesidade, através do índice de massa corporal (IMC) – relação Peso/ Altura; composição da massa corporal; perímetro abdominal e definição do estado global de saúde, bem como a identificação de factores de risco associados ao aparecimento de doenças secundárias. Este processo abrange ainda a avaliação da “ prontidão” do paciente em iniciar as alterações de vida necessárias ao sucesso do tratamento.
2. O Acompanhamento envolve não apenas a perda de peso e aconselhamento para manutenção do mesmo, mas também a conjugação de diversas terapias nomeadamente Dietoterapia, Terapia comportamental, Actividade física e em algumas situações Farmacoterapia e/ou Cirurgia.
A Obesidade é uma doença cujo tratamento com sucesso depende da motivação do indivíduo e requer uma autêntica dedicação e apoio da equipa terapêutica, lembrando sempre que a perda de peso, para além de uma melhoria estética, engloba diversos benefícios para a saúde, como a redução do risco de doenças cardiovasculares através da diminuição da pressão arterial, níveis de glicemia e melhoria das dislipidemias.3 Compete a cada pessoa saber aquilo que deseja para si e para os seus filhos e lutar para inverter a tendência para o aumento da população obesa.
Referências Bibliográficas
1.Padez C, Mourão I, Moreira P, Rosado V, Prevalence and risk factors of overweight and obesity in portuguese children. Acta Paediat, 2005.94(11):p1550-7.
2. Becker D, Biuchard C, Carleton R. et al Obesity: The Practical Guide 2000.
3. Shils M, Olson J, Shike M, Ross A C. Tratado de Nutrição Moderna na Saúde e na Doença.9ª Edição, 2003. Editora Manole. Vol.2;cap.87,1493-1518.
4. WHO, “Preventing and Managing the Global Epidemic of Obesity. Report of the World Health Organization Consultation of Obesity”, Geneva, June 1997.
Referências Electrónicas
- http://www.spco.pt
- http://www.min-saude.pt/portal/
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