Percurso Académico e Abordagem Terapêutica- (Drª. Laura Sanches)

Praticante de Yoga desde 1995 e professora desde 2001, esta prática influenciou sempre a forma como encarei o estudo da Psicologia, levando-me a ter uma visão holística e global do Ser Humano.  


Conclui a Licenciatura em Psicologia Clínica e do Aconselhamento, da Universidade Lusófona em 2002 e, nesse mesmo ano parti para Inglaterra para fazer o mestrado em “Consciousness and Transpersonal Psychology” da universidade John Moores, em Liverpool. A motivação para fazer este curso veio da vontade de aprofundar algo que vivenciara desde sempre na minha prática de Yoga: a ideia que o Ser Humano é mais do que a simples soma das suas partes e de que existem dimensões mais profundas e abrangentes no Ser Humano do que aquelas que são normalmente reconhecidas pelas abordagens mais vulgares da Psicologia. Neste Mestrado e na Psicologia Transpessoal encontrei um campo de estudo que me permitiu aprofundar bastante os meus conhecimentos acerca do potencial humano. Com vontade de saber mais sobre a forma como o Yoga pode ajudar as pessoas a desenvolverem todo o seu potencial elaborei uma tese de Mestrado sobre a influência da Kundalini no desenvolvimento transpessoal de praticantes e não praticantes de yoga. Esta foi apresentada oralmente no Sétimo Congresso de Psicologia Transpessoal em Scarborough e publicada numa revista da especialidade: Sanches & Daniels (2008), Kundalini and Transpersonal Development: of a Kundalini Awakening Scale and a Comparison Between Groups. Transpersonal Psychology Review 12 (1), 73- 84.

Em simultâneo com o mestrado, que tinha um conteúdo mais teórico e de pesquisa, e porque um dos meus objectivos sempre foi fazer clínica, fiz também uma Pós-graduação em Counselling Skills, com a duração de um ano, no Thomas Danby College. Este, de carácter mais prático, permitiu-me trabalhar algumas ferramentas fundamentais na clínica e estimulou também o meu desenvolvimento pessoal, algo muito importante no trabalho terapêutico. Neste curso aprofundei a abordagem de Carl Rogers, que já tinha estudado um pouco na licenciatura e que continua ainda hoje a influenciar bastante o meu trabalho.
Voltei para Lisboa em 2004, depois de ter concluído o mestrado e, com vontade de me tornar melhor terapeuta e de aprofundar o treino da abordagem centrada no cliente, de Rogers, frequentei nesse ano lectivo a Pós-Graduação “Relação de Ajuda e Counselling”.

Em Março de 2008 abriu a primeira Pós-Graduação para formação de terapeutas de influência Transpessoal, na Universidade Lusófona do Porto, que frequentei em 2008/2009. A vontade de fazer mais uma Pós-graduação veio da necessidade de aprofundar o meu conhecimento e prática do modelo transpessoal na sua vertente terapêutica.


Assim, a minha abordagem enquanto terapeuta, é bastante influenciada pelos Modelos Humanistas, com a sua ênfase no respeito pela pessoa e no seu potencial, nomeadamente no modelo de Rogers, que sublinha a sabedoria do cliente e as características que o terapeuta deve ser capaz de criar na relação terapêutica (empatia, aceitação incondicional, congruência), que são mais importantes do que a técnica em si; e pelos Modelos Transpessoais – nomeadamente o de Ken Wilber e do Sri Aurobindo - que sublinham a importância de reconhecermos as nossas dimensões mais profundas para uma vida preenchida e completa. No Transpessoal e no modelo de Wilber encontramos também as bases teóricas para uma abordagem verdadeiramente ecléctica, o que significa que mais do que ficarmos presos a um modelo ou uma abordagem específica, o importante é que o terapeuta tenha conhecimento e flexibilidade suficientes para se adaptar à pessoa com quem está a trabalhar.

Mais recentemente, tenho vindo também a interessar-me pela Meditação Mindfulness e pela Psicologia Cognitiva que, juntas, podem ser ferramentas muito eficazes para a Gestão do Stress.. Tenho também desenvolvido um interesse especial pelo estudo da Psicologia Positiva, uma área da psicologia que procura compreender aquilo que nos torna pessoas mais felizes e realizadas.

 

Programa para a Gestão do Stress

Razões para a criação deste programa de intervenção:

Se uma certa dose de stresse pode mesmo vir a ser positiva e servir para nos dar a motivação suficiente para realizarmos tarefas que, de outra forma, poderíamos acabar por não levar a cabo. Também é verdade que o stresse excessivo pode ser uma força paralisante nas nossas vidas que, quando se torna crónico, pode mesmo levar a graves problemas de saúde física e mental.

Hoje em dia estes efeitos negativos do stress fazem-se sentir de forma cada vez mais frequente. Os desafios são cada vez mais uma constante das nossas vidas e nem sempre nos sentimos capazes de lidar com eles da melhor maneira. Muitos desses desafios são uma consequência do estilo de vida moderno e, até há pouco tempo atrás, não faziam sequer parte da vida da maioria das pessoas. De facto, vivemos hoje num mundo muito diferente daquele que conheceram os nossos pais e avós. Assim, não é de estranhar que não tenhamos sido ensinados ou preparados para lhes fazer frente da melhor maneira.

Por isso, muitas vezes torna-se necessário aprender a algumas estratégias que nos permitam sentir mais confiantes e seguros para conduzir uma vida saudável e preenchedora. Até porque, a grande maioria das vezes o problema não está nos acontecimentos em si, mas sim na leitura que fazemos deles.

Se não podemos mudar o mundo em que vivemos, podemos mudar a nossa forma de reagir perante este. Foi com este objectivo em mente que criámos este programa, esperando que, depois dele, os mesmos acontecimentos possam passar a ter uma leitura diferente que, por sua vez nos permita agir sem tensão, sem ansiedade.

Objectivos deste programa:

Permitir a aquisição de estatégias para lidar com o stresse. Permitir que a aquisição destas estratégias leve a uma atitude de maior segurança e tranquilidade perante os desafios do dia-a-dia.

Como funciona:

Na primeira sessão é feita uma avaliação com o objectivo de identificar as principais fontes de stresse para cada pessoa e de fazer uma identificação clara das áreas em que esta deseja intervir. A seguir serão marcadas sessões semanais em que estas áreas serão trabalhadas, usando as técnicas mais adequadas para cada pessoa. Serão usadas técnicas de relaxamento, juntamente com outras estratégias, permitindo a aprendizagem de formas eficazes de anular os efeitos físicos e psicológicos do stresse.

Sessões de relaxamento dirigido

Objectivos destas sessões

Aprender a usar eficazmente estas técnicas como estratégia de combate ao stress.
Aprender a usar eficazmente estas técnicas como forma de desenvolvimento pessoal.

Como funcionam

Numa primeira sessão serão abordadas as razões que levam o cliente a procurar estas sessões, como forma de melhor delinear os tipos de relaxamento a usar, nas sessões seguintes.
Nas sessões seguintes, que serão em número a definir pelo cliente em conjunto com o psicólogo, serão usadas várias técnicas de relaxamento, em que o psicólogo irá dirigir o cliente. Este será também estimulado a continuar a usar estas mesma técnicas fora das sessões, pelo que serão também explicados alguns cuidados importantes que devem ser tidos em conta para que o relaxamento possa dar-se da forma mais eficaz.

Importância das Técnicas de Relaxamento no Combate ao stress

Estas técnicas podem ser uma ajuda preciosa no combate ao stress, dando-nos a possibilidade de passar a viver de forma mais tranquila. Nos dias que correm, a agitação das nossas vidas é cada vez maior causando muitas vezes também uma grande agitação interior, causadora de stress e ansiedade. Se, em pequenas doses, o stresse pode ter por vezes um efeito positivo, motivando-nos para agir e realizar determinadas acções, que de outra forma poderíamos acabar por não levar a cabo, também é verdade que, demasiado stress, pode ter exactamente o efeito contrário chegando mesmo a ser paralisante. Muitas vezes a ansiedade torna-se de tal forma elevada que nos impede de ter a estabilidade mental necessária para uma vida produtiva e com saúde.
           
Muitos estudos têm chegado à conclusão de que os níveis elevados de stress fazem com as defesas do organismo fiquem debilitadas, tornando-o muito mais vulnerável aos vários agentes causadores de doenças. A ansiedade prolongada, com níves de stress crónico, também tem sido relacionada com a hipertensão e com todo o tipo de doenças coronárias.
           
A agitação permanente, o nervosismo e a ansiedade, além de prejudicarem seriamente a nossa saúde também nos impedem de apreciar a vida e de cumprir os nossos objectivos. Estes sentimentos, quando se tornam constantes na nossa vida, causam-nos angústia e tristeza, fazendo-nos sentir que não somos capazes de conduzir eficazmente a nossa vida.
           
As técnicas de relaxamento permitem-nos viver, mesmo no meio de toda a agitação exterior, com a traquilidade e a serenidade que nos permitem levar uma vida feliz e tranquila na qual podemos desempenhar com confiança e eficácia o nosso papel. Assim, o domínio destas técnicas permite-nos recuperar o controlo sobre a nossa vida, fazendo com que deixemos de ser vítimas das circunstâncias.

           
          
O papel das Técnicas de Relaxamento no desenvolvimento pessoal
           
           
Para além dos efeitos tão importantes no combate ao stresse, o domínio das técnicas de relaxamento pode ainda ter um papel importantíssimo no nosso desenvolvimento pessoal. Ao longo das sessões de relaxamento vamos entrando em contacto com as partes mais profundas de nós, estas sessões podem ser verdadeiras viagens ao nosso universo interior. Viagens de descoberta e de exploração até às partes mais escondidas do nosso Eu, até às partes mais autênticas e genuínas da nossa natureza.
          
Através destas técnicas podemos adquirir um maior auto-conhecimento, ao mesmo tempo que aprendemos a entrar em contacto com a nossa fonte de bem-estar interior. Descobrindo que existe dentro de nós uma fonte permanente de tranquilidade e de harmonia. Aprendendo que o contacto com esta fonte de sabedoria, que existe no nosso interior, nos pode ajudar a descobrir quem somos, quem gostaríamos de ser e de que forma poderemos lá chegar.

Alguns aspectos que distinguem uma relação terapêutica

Em determinados momentos da nossa vida pode ser muito importante termos a ajuda de um profissional qualificado e treinado para nos acompanhar ao longo do nosso processo de crescimento.
Para além do conhecimento teórico e técnico que é necessário, esse profissional deve ser capaz de proporcionar aos seus clientes um ambiente com algumas características fundamentais para que as sessões psicoterapêuticas sejam verdadeiramente um espaço de crescimento e descoberta. Características essas que distinguem a relação terapêutica de todos os outros tipos de relacionamento.
As três características que descrevemos a seguir foram, pela primeira vez, definidas e nomeadas por Carl Rogers, o pai da Psicoterapia centrada no Cliente, que se insere no modelo humanista. De acordo com este autor estas três características são necessárias e suficientes para que uma relação tenha um efeito terapêutico.
São elas:

Aceitação incondicional - o terapeuta deve aceitar incondicionalmente o cliente. Isto signfica que não deve fazer julgamentos acerca da pessoa que está na sessão consigo, deve aceitá-la enquanto ser humano, independentemente de concordar ou não com algumas das suas escolhas. Para que a sessão seja um espaço de liberdade e de crescimento para o cliente, é fundamental que este sinta essa aceitação por parte do terapeuta. Esta aceitação incondicional só por si, segundo Rogers, pode já ter um grande efeito terapêutico na pessoa, já que poderá ser a primeira vez na sua vida que esta se sente aceite por aquilo que realmente é. Esta aceitação por parte do terapeuta, permite ao cliente aceitar-se também a si mesmo e tornar-se mais capaz de se compreender e reconhecer enquanto pessoa.

Empatia - é a capacidade do terapeuta estar verdadeiramente com o cliente. A capacidade de estar completamente disponível para sentir aquilo que a pessoa está a transmitir, vivenciando com ela tudo aquilo que é relevante em cada sessão. Esta empatia só pode surgir, se houver uma verdadeira aceitação incondicional da pessoa. É esta empatia, que o terapeuta deve ser capaz de comunicar ao cliente, que o leva a sentir-se verdadeiramente escutado e compreendido, deixando de lado o sentimento de solidão e de incompreensão que tantas vezes acompanha os nossos sentimentos e emoções menos positivos, permitindo-lhe ainda vivenciar sentimentos ou emoções que, muitas vezes são evitados no dia-a-dia.

Congruência - é a capacidade do terapeuta estar sempre em sintonia consigo mesmo, tendo total consciência dos seus sentimentos e pensamentos, expressando-os adequadamente. Esta consciência é fundamental para que o terapeuta seja sempre verdadeiro durante todo o processo terapêutico, sendo que é também fundamental para a relação que o cliente o perceba como tal. Para que tal se torne possível é fundamental que o terapeuta invista no seu próprio desenvolvimento pessoal.
Sem  esta congruência as outras duas condições nunca podem estar verdadeiramente presentes.